Fado
Carminho (Portugal)
Carminho canta Tom Jobim
- CD, Erscheinungsjahr: 2016
- Label: Warner
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- Preis: € 18,00

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Fado trifft Bossa Nova. Carminho, eine der interessantesten jungen Fadosängerin erorbert das Repertoire das brasilianischen Bossa Nova-Meisters Tom Jobim. Einige Stücke im Duett mit Maria Bethânia, Chico Buarque, Marisa Monte

No fado, como em muitas outras músicas, fala-se muitas vezes do “tom maior” e do “tom menor”. Carminho, já o sabíamos, era uma cantora em tom maior – e a ficar maior de disco em disco, de um “Fado” que se tornou “Alma” e depois passou a “Canto”, ao longo de três álbuns que dela fizeram uma voz aclamada, dentro e fora de Portugal. Mas daí a ouvi-la cantar um tom à parte como é o de Tom Jobim – e acompanhada pela Banda Nova que foi a última banda de Jobim, e com nomes que privaram com ele como Bethânia e Chico - vai um passo grande. Um passo que, para Carminho, provou ser o passo seguinte - bem como um passo em frente, e, acima de tudo, um passo natural. Um passo seguinte, porque o percurso que Carminho tem feito com os seus discos e com os seus concertos a tem aproximado de um estatuto invejável a nível internacional. Com sucessos de vendas em Espanha, na Escandinávia ou no Brasil, com digressões de êxito por França, Holanda, Bélgica, Alemanha, EUA ou Canadá. Um passo em frente, porque todas essas viagens e todas essas experiências têm enriquecido a voz e a capacidade interpretativa de Carminho. Se o fado é uma música que exige sempre dos seus intérpretes uma entrega total, feita de vivências e de viagens, essa entrega é transportada na voz, qualquer que seja a música que se cante. E não é de estranhar que já haja quem compare a presença de palco de Carminho à de nomes grandes como Angélique Kidjo ou Concha Buika, como uma das “grandes” vozes, independentemente da sua origem. E um passo natural, porque a popularidade e as boas-vindas que Carminho teve no Brasil, com a aclamação do público e da crítica e a recepção calorosa de artistas como Marisa Monte, Caetano Veloso, Chico Buarque ou Milton Nascimento, tornava quase inevitável uma incursão pelo cancioneiro inesgotável da MPB. Foi, por convite da própria família do compositor, sobre o cancioneiro de Tom Jobim que essa incursão teve lugar. Gravando nos estúdios da prestigiada editora Biscoito Fino com acompanhamento da Banda Nova, a última formação que acompanhou Jobim, composta pelo filho e neto do criador da bossa nova, Paulo e Daniel Jobim, por Jaques Morelenbaum e Paulo Braga. Registando uma dúzia de temas que não evitam clássicos mas preferem mergulhar a fundo na enorme riqueza do acervo de Jobim – de “A Felicidade”, “Sabiá” ou “Retrato em Branco e Preto” a “O Que Tinha de Ser”, “Luiza” e “Triste”. E agradecendo àqueles que a receberam de braços abertos, convidando-os para partilhar o microfone com ela: Marisa Monte, que participa em “Estrada do Sol”, a diva Bethânia, que partilha “Modinha”, e o eterno Chico Buarque, com quem canta “Falando de Amor”. Carminho pôs toda a sua alma a cantar Jobim. Não é um disco de fado? Talvez não seja. Mas é o disco que se impunha, que Carminho tinha de fazer agora. E que fez.